- O meu primeiro dia com uma amiga!
Hoje foi sem duvidas um dia bom. É incrível ter dois dias bons seguidos, mas aconteceu!Lembra de Marianne? Pois é! Ela veio mesmo na minha casa. Minha mãe olhou com uma cara contentíssima para ela, e fez com que ela comesse seus bolos nada comestíveis. A principio eu realmente achava que quilo era irreal (já contei que tenho alucinações?) Marianne, a menina mais popular da escola, na minha casa? Eu, que sou "eu"?
Mas, relevei... se fosse uma alucinação, eu descobriria uma hora outra. Chamei Marianne para o lugar onde eu durmo (para falar a verdade não sei se ela entendeu, por quê gaguejei tanto que seria difícil)
--- Marianne querida! Acho que Ana está te chamando para o quarto dela--- falou minha mãe, que com seus truques mágicos conseguiram decifrar minha gagueira--- Vá com ela, já já levo uns biscoitinhos delicio...
--- Não precisa dona Josefa--- interrompeu Marianne--- Já estou sem fome--- deu um de seus sorrisos belos e calorosos e foi para o meu quarto.
--- Então Ana! Desde que eu cheguei você não falou comigo...--- disse Marianne para quebrar o gelo.
--Eu tinha falado, ela que não tinha entendido--
---M-m-m-me d-d-deculpe...
--- Tudo bem--- falou ela com mais um sorriso lindo--- Ana, feche os olhos!
Obedeci
--- Agora imagine coisas boas!
Imaginei um lugar deserto, com uma grama verdinha e baixa, uma árvore enorme que fazia uma sombra agradável...
--- Diga "Oi, como vai você?"
--- Oi como vai você?--- eu disse, sem gaguejar, vomitar ou desmaiar
--- Muito bem Ana, é um progresso--- sorriu, de novo, como se nunca tivesse experimentado a dor, e era isso que eu queria. Queria que ela nunca... jamais experimentasse a dor.
--- Ana, por quê é tão difícil pra você falar com outras pessoas?
E foi ai, que ela tocou em um assunto que eu nunca falara para ninguém, nem mesmo minha mãe!
Eu tinha 10 anos estudava em outra escola, era muito sociável, falava com todos. Até que um dia fiz a coisa mais estúpida de todas as coisas estúpidas... disse para minha "melhor amiga" que a amava. Juro que era um amor inocente, da aqueles que criança sente sabe? Mas, não foi isso que os meus colegas de classe entenderão. Eles me chamavam de "sapatão"... cuspirão em mim, batiam em mim, falavam que eu era uma aberração, e eu não falava nada. Sempre que minha mãe olhava meus machucados eu dizia que havia caído.
Lembra que eu disse que não sofria bullying? Pois é! Não sofro, pelo menos... não mais! Pois aprendi que permanecer isolada da sociedade, me protegeria de pessoas como aquelas crianças que tanto me maltratavam. Eram crianças, imagine agora? O que as impedia de serem piores do que já foram um dia? O que as impede de matar alguém apenas, por ser diferente delas?
--- Ana? Você está bem? Te fiz uma pergunta a mais de 5 minutos e você nem olhou pra mim--- Falou Marianne, interrompendo os meus pensamentos.
Olhei para ela e forcei um sorriso. Me recusava a pensar que Marianne era como aquelas crianças, que um dia me fizeram tanto mal. Me esforcei a dizer alguma coisa como "Obrigado por ter vindo!", mas como era de se imaginar. Ela não entendeu!
--- Tudo bem Ana, qualquer dia eu volto--- falou Marianne--- Mas, tente confiar em mim, eu sou sua amiga agora, você não está mais sozinha.
Aquilo levou calor ao meu corpo, me senti feliz, e pela primeira vem em 6 anos não me senti só.
1 comentários:
Muito bom mesmo... MUITO MUITO MUITO... Bom, pelo menos eu gosto ^^ Eu me envolvi na história...
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