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Vício

Tenho recaída de você
Vontade de você
Abstinência de te ter
Afinal, o que tu és?
Uma droga ou o meu bem querer?
Um bem querer
Apenas um bem
Apenas querer.

-Stefany

Capitulo Cinco!

--- O Dia em que Ana "existiu"!


Dois dias depois do acontecido...

Minha mãe está muito deprimida. Tanto que eu mesma me privo de sentir qualquer dor, pois ela já sofre por nos cinco. A nossa casa não é como era antes, e não porque o "porco" nos deixou, é porque a qualquer momento poderemos ser expulsos.
    Tenho que admitir que as coisas aqui andam meio fora do normal. Gabriel chora todas as Noites. Minha mãe não vai consola-lo, o que é estranho! Por que ela nunca o deixa chorar por muito tempo, sem ir ver o que está acontecendo.
João Victor ia na cozinha de duas em duas horas comer o resto de comida que tinha. Mesmo que ele saiba, que não podendo nos dar o luxo de comer mais de uma vez por dia.
Gustavo sussurra coisas para si mesmo como: ele vai voltar! Ele vai voltar.
Miguel não arquitetava nenhuma "trollagem", mesmo assim parecia o mais frio de todos os irmãos, não demonstrava se quer uma cara de raiva ou tristeza.
Já Eduardo, passava todas as horas do dia após a escola a procura de trabalho.
--- Você só tem 15 anos não vai achar trabalho em lugar nenhum!--- Dizia minha mãe, ainda deitada na cama.
--- Eu tenho que achar!--- E saia novamente a procura de trabalho.
Enquanto a mim, não sei como me sinto. Ou melhor, não sei explicar o quanto me sinto mal. Quero desabar... chorar, gritar. Fazer com que os sussurros na minha cabeça cessem. "Mate-o, mate-o, mate-o". Eles estão prestes a me convencer.
    Em relação a escola, tudo voltou a ser como antes, exceto por Marianne ter me visitado no dia em que meu pai foi embora.
--- Me desculpe pela forma que te tratei na escola... você sabe, perto das meninas. É que não quero perder minha popularidade! Aliás quero que você ande comigo, mas você tem que parar de gaguejar primeiro, certo?--- Disse Marianne, com um de seus sorrisos calorosos.
   Disse a ela que estava tudo bem! E ela se foi, com a promessa de que voltaria. Desde então, não culpo Marianne por não querer ao lado dela. Afinal, eu acabaria por tirar sua existência da escola, e não seria ela quem me transformaria  em alguém conhecido, ou quem sabe amado. Não sei como é ser amada. Nunca senti tal sentimento antes, sempre me acostumei com a solidão, com as vozes... é estranho para você ler sobre uma menina que ouve vozes? É ruim, é triste? Creio que nada se compara ao sentimento de não poder ouvir aos seus próprios pensamentos. Ter dores de cabeças alucinantes, não poder dormir, e não poder falar com ninguém sobre isso--- Eu seria taxada de louca, porque talvez eu seja---
Devo parar de falar sobre elas, me parece que só sei falar das vozes e como elas me fazem mal. De qualquer maneira, estamos sem comida à 2 dias, sinto como se minha barriga estivesse disputando com a minha cabeça para ver quem me deixava pior. 

               . . .

   Passaram-se mais dois dias, e Eduardo conseguiu um emprego. Eu fiquei feliz e com raiva ao mesmo tempo. Como ele tão novo, consegue emprego e eu não? Sou tão incapaz assim?
As respostas para minha perguntas foram respondidas, quando pela primeira vez eu fiz questão de chamar a professora na sala.
--- Professora, sinto dores de cabeça. A senhora pode me liberar?--- disse eu com olhos e punhos fechados, sem gaguejar.
Todos na sala olharam para trás, como se uma alma penada acaba-se de dar as caras...  ouvi alguns sussurros de todas as partes como:
"Quem é essa ai?"
"Não era aquela que estava chorando outro dia?"
"A quanto tempo essa menina estuda aqui mesmo?"
"Meu Deus, como ela é feia!"
Até que uma voz em particular me chamou atenção, um sussurro doce de uma pessoa doce.
--- Ana?--- Disse Marianne, extremamente assustada.
Uma outra pessoa perguntou:
--- Ana? Quem é Ana? Não conheço ninguém aqui com esse nome, por mais comum que seja. Nunca ouvi ele na chamada. --- Era a representante de classe.
--- CALADOS!--- Gritou a professora.
--- Como não conheciam Ana? Tudo bem que ela não fala e vive no fundo sala. E também só faz provas de segunda chamada, mas Ana, pode ir...
Senti a tontura vindo me pegar, mas também a satisfação de finalmente conseguir falar sem gaguejar.

Capitulo Quatro!

 

---Alegria de pobre de fato dura pouco!

Eu já estava me acostumando cedo demais com a alegria... deveria ter previsto que hora ou outra ela iria acabar. Eram 7:00 da manhã, já estava na escola faziam 15 minutos, e eu vi Marianne chegar com suas 'seguidoras', Patricia e Jennifer. Quando ela se sentou, fui tentar falar com ela.
--- O-oi Ma-Marianne!
Ela me ignorou completamente 
--- Mari, acho que a estranha do fundo da sala, quer falar com você--- falou Patricia
--- Meninas, acho que ela é gaga!--- sussurrou Jennifer, mas eu havia escutado.
--- Ignorem-na, apenas continuem andando--- disse Marianne, atirando as palavras como balas nos meus ouvidos. 
    Fui para meu lugar com a cabeça baixa, me sentindo a mesma idiota de sempre, só que dessa vez com um aperto no coração, como se aquelas palavras tivesse perfurado todo o meu corpo. "Que merda! Porque eu sempre faço besteira?" Pensei, me culpando por ter pensando que Marianne seria mesmo minha amiga "Eu nunca vou ter amigos" e segurei as lágrimas. Não por muito tempo...
Quando me dei conta que estava chorando, levantei a cabeça e vi toda a sala estava com os olhos virados para mim. Comecei a ficar tonta e enjoada, alguns alunos diziam "Ela está pálida como um cadáver" e então...
   Tudo ficou preto.
E lá estava eu na enfermaria, com a enfermeira mais feia do mundo olhando para mim e perguntando se eu estava bem, enquanto apertava meu braço com o medidor de pressão. Ela era gorda, tinha uma verruga terrível no nariz, e o cabelo mais seboso e crespo que alguém já viu! Mas, no fim, era uma boa pessoa. Ela viu minha pressão e disse que eu podia voltar pra sala, pois já estava normalizada, mas eu pedi--- Ou melhor implorei--- para que eu pudesse ir para casa, não aguentaria voltar para aquela sala, por pelo menos um mês. Ela concordou e me mandou para casa.
  Na volta para casa fiquei pensando, no que aconteceu na sala. E adivinhe só? Eu vomitei! 
(Sinceramente não sei o que pus pra fora, não tomei café da manhã, ou lanchei na escola). Eu me senti péssima o dia todo, quase não comi. E chorei, chorei muito! Mas, Miguel não queria me ver sofrer, por outra coisa a não ser ele. Então ele fez o favor de pregar uma peça em mim, balões com uma mistura nojenta de "Não me pergunte o que é" Que evidentemente eu tive que limpar, mas isso não me afetou muito, eu tinha que preocupar com as vozes dizendo para eu me matar...
OH MEU DEUS, o que eu fiz para merecer tudo isso? 
                        ...
   Na manhã do dia seguinte finge um terrível mal estar (O que não era total fingimento, pois de fato me sentia mal), minha mãe deixou que eu ficasse em casa, e foi trabalhar. Eu fiquei lendo "A menina que roubava livros". Falando nisso, o livro que eu li anterior a esse foi maravilhoso (claro que se minha mãe olhasse umas certas partes nele, nunca mais me daria livro algum). Fiquei feliz por me identificar tanto com alguma coisa.
   Quando minha mãe voltou do trabalho estava com os olhos tão vermelhos que eu pensei que ela devia estar com conjuntivite, mas não... ela havia chorado. E chorado muito. Perguntei a ela:
--- O que houve mãe? Vocês está bem? Onde está o Papai?
--- Ele... ele...--- Interrompeu-se em lágrimas 
--- Mãe? O que está acontecendo?--- Disse eu com um nervosismo perceptível.
--- Ele nos deixou--- Falou minha mãe, enquanto soluçava.
Eu não pude responder, não sabia o que fazer... como nos sustentaríamos? Sim, eu não me importo com meu pai, ele deve ter arrumado uma amante que page as mordomias dele. Aquele... aquele.
Foi quando a minha raiva estava no auge, que comecei a ouvir as vozes sussurrando...
"Mate-o, mate-o"
Quase quis fazer isso!
Enquanto minha mãe pegava um copo e uma cachaça que estava escondida, me segurei em relação ao homicídio e disse:
--- Não se preocupe mãe! Nos não precisamos da aquele porco--- Falo eu tentando parecer confiante.
--- Ai que você se engana, só estamos vivos porque aquele "porconos sustentava--- falou minha mãe e pôs cachaça no copo.
Minha mãe era muito bonita, cabelos cacheados e negros como os meus, e sempre andava maquiada, mas nesse dia pude ver o que a maquiagem escondia. Uma mulher triste e dependente, que vivia pelo o marido.
  

Macaé- Clarice Falcão! (cover)

~le eu tentando fazer um cover

Capítulo Três!

- O meu primeiro dia com uma amiga!

    Hoje foi sem duvidas um dia bom. É incrível ter dois dias bons seguidos, mas aconteceu!
Lembra de Marianne? Pois é! Ela veio mesmo na minha casa. Minha mãe olhou com uma cara contentíssima para ela, e fez com que ela comesse seus bolos nada comestíveis. A principio eu realmente achava que quilo era irreal (já contei que tenho alucinações?) Marianne, a menina mais popular da escola, na minha casa? Eu, que sou "eu"?
    Mas, relevei... se fosse uma alucinação, eu descobriria uma hora outra. Chamei Marianne para o lugar onde eu durmo (para falar a verdade não sei se ela entendeu, por quê gaguejei tanto que seria difícil)
--- Marianne querida! Acho que Ana está te chamando para o quarto dela--- falou minha mãe, que com seus truques mágicos conseguiram decifrar minha gagueira--- Vá com ela, já já levo uns biscoitinhos delicio...
--- Não precisa dona Josefa--- interrompeu Marianne--- Já estou sem fome--- deu um de seus sorrisos belos e calorosos e foi para o meu quarto.
--- Então Ana! Desde que eu cheguei você não falou comigo...--- disse Marianne para quebrar o gelo.
--Eu tinha falado, ela que não tinha entendido--
---M-m-m-me d-d-deculpe...
--- Tudo bem--- falou ela com mais um sorriso lindo--- Ana, feche os olhos!
Obedeci
--- Agora imagine coisas boas!
     Imaginei um lugar deserto, com uma grama verdinha e baixa, uma árvore enorme que fazia uma sombra  agradável...
--- Diga "Oi, como vai você?"
--- Oi como vai você?--- eu disse, sem gaguejar, vomitar ou desmaiar
--- Muito bem Ana, é um progresso--- sorriu, de novo, como se nunca tivesse experimentado a dor, e era isso que eu queria. Queria que ela nunca... jamais experimentasse a dor.
--- Ana, por quê é tão difícil pra você falar com outras pessoas?
     E foi ai, que ela tocou em um assunto que eu nunca falara para ninguém, nem mesmo minha mãe!
Eu tinha 10 anos estudava em outra escola, era muito sociável, falava com todos. Até que um dia fiz a coisa mais estúpida de todas as coisas estúpidas... disse para minha "melhor amiga" que a amava. Juro que era um amor inocente, da aqueles que criança sente sabe? Mas, não foi isso que os meus colegas de classe entenderão. Eles me chamavam de "sapatão"... cuspirão em mim, batiam em mim, falavam que eu era uma aberração, e eu não falava nada. Sempre que minha mãe olhava meus machucados eu dizia que havia caído.
      Lembra que eu disse que não sofria bullying? Pois é! Não sofro, pelo menos... não mais! Pois aprendi que permanecer isolada da sociedade, me protegeria de pessoas como aquelas crianças que tanto me maltratavam. Eram crianças, imagine agora? O que as impedia de serem piores do que já foram um dia? O que as impede de matar alguém apenas, por ser diferente delas?
--- Ana? Você está bem? Te fiz uma pergunta a mais de 5 minutos e você nem olhou pra mim--- Falou Marianne, interrompendo os meus pensamentos.
    Olhei para ela e forcei um sorriso. Me recusava a pensar que Marianne era como aquelas crianças, que um dia me fizeram tanto mal. Me esforcei a dizer alguma coisa como "Obrigado por ter vindo!", mas como era de se imaginar. Ela não entendeu!
--- Tudo bem Ana, qualquer dia eu volto--- falou Marianne--- Mas, tente confiar em mim, eu sou sua amiga agora, você não está mais sozinha.
    Aquilo levou calor ao meu corpo, me senti feliz, e pela primeira vem em 6 anos não me senti só.



Capítulo Dois!

 

-O dia que em que eu fiz uma amiga!

   Depois do fiasco do meu aniversario, minha mãe decidiu que seria uma boa ideia me perguntar por quê eu nunca levo nenhum amigo para minha casa. Parece que de fato ninguém me conhece. Eu não consigo se quer dar um "oi" para uma pessoa, sem gaguejar ou ficar com vontade de desmaiar, quem dirá fazer um amigo? 
   Pela manhã tive a sorte de não receber uma chuvas de ovos, parece que isso é um tipo de ritual que só acontece com os aniversariantes ou pessoas que sofrem bullying. O que não é o meu caso. Você deve achar que eu sou o perfil perfeito para uma vitima de bullying, mas a verdade é que eu sou tipo um fantasma na minha escola. Ou seja, ninguém me conhece.
   Cheguei meia hora antes do horário na escola (como sempre), pra não ter que receber olhares dos outros alunos. Mas para meu espanto já havia uma pessoa na sala... e não era a professora. "É Marianne" eu pensei. No dia do meu aniversario tive uma pequena conversa com ela. Pequena de verdade. Eu sempre respondia gaguejando para ela.
   Andei rápido em direção a última cadeira, no canto inferior direito da sala. Marianne, ficava na primeira cadeira no canto superior a esquerda da sala. Exista um grande espaço entre nos... Que claro Marianne decidiu invadi-lo, a principio fiz cara de paisagem, não achei que ela viria falar diretamente comigo, mas ela chegava cada vez mais perto, mais perto...

--- Oi! Ana Maria dos Anges Silva.--- Falou ela dando ênfase no meu nome. 
Eu não queria responder, achei que iria vomitar assim que eu abrisse a boca. Mas, tentei um "oi"
--- "hai"
Ela cravou seus olhos cor de mel nos meus simples olhos castanho escuro, como quem dizia: "Que diabos?". Eu mesma estava me perguntando "Que diabos foi aquilo?", abaixei a cabeça sobre meus braços na mesa da cadeira e me segurei para não chorar.

 Marianne pôs suas mãos no meu cabelo e começou a me fazer cafuné. Juro que achei que iria desmaiar, mas felizmente não aconteceu. Então ela fala:
--- Você é muito engraçada--- ela deu uma gargalhada--- Você deveria falar mais, assim teria mais amigos, mas eu posso te ajudar, se você quiser ser minha amiga, claro!
 Eu? Ana Maria com uma amiga? Parecia muito bom para ser verdade, mas caso fosse verdade fechei os olhos e disse sem gaguejar:
--- Eu adoraria ter uma amiga!
--- Está certo! A aula já vai começar, depois me dê seu endereço e passarei lá, para a gente treinar mais essa sua fala "destemida".
 E lá se foi a minha futura amiga, eu estava tão animada, tão apavorada... tão tudo ao mesmo tempo.
Queria correr e gritar para o mundo, "EU TENHO UMA AMIGA, EU EXISTO", mas me contive, gritar não seria uma boa ideia pra mim.

Capítulo Um! (Quem é Ana?)


- O meu aniversario

    Dia 14/07/2013 meu aniversario
   Em geral meus aniversários são sempre iguais, minha mãe faz uma arma biológica que ela chama de bolo, meu pai fica brigando com ela porque ela não sabe cozinhar. Meus irmãos só lembram que é meu aniversario quando minha mãe chega com o "bolo",com velhinhas que já foram reutilizadas milhares de vezes... E meus pais sempre dizem que eu tenho direito a um livro por aniversario, e eu sempre fico na duvida do que pedir.
No dia em questão, eu acordei da melhor maneira que alguém poderia acordar... Um banho de ovos podres! (16 ovos podres para ser exata). E é claro que a ideia foi de Miguel que enquanto ria da minha cara,ouvia Eduardo dizendo:
--- Parem com isso, não é certo tacar ovos nas pessoas!
   De certo modo, isso me deu mais ódio que os ovos podres. Depois disso fui tomar um banho de verdade. Aqui não tem chuveiro de água quente, mas de certa forma é bom, pois está sempre muito quente. Enquanto eu tomava banho e deixava a água curar minha raiva e falta de esperança sobre um aniversario melhor, escutei meus pais discutindo
--- Eu não vou comer essa sua comida de merda!
--- Não come então seu porco idiota!
--- Vou sair e comprar alguma coisa para mim--- Resmungou Robert meu pai
--- Mas, hoje é o aniversario da nossa filha lembra?
--- Josefa, já te falei que eu não me importo com esse negocio de aniversario, principalmente o aniversario dessa menina estranha...
    Minha mãe o interrompeu, mas eu não ouvi. Me sentei no chão, em baixo do chuveiro, e comecei a chorar, eu não quis, mas chorei mesmo assim. Baixinho para os meus pais não ouvirem.
--- Filha, você vai se atrasar!--- Gritou minha mãe
--- Já vou mãe!--- enxuguei as lágrimas e fui.
     Devo ter demorado 5 minutos para me vestir, e outros 5 para comer. Depois dei um beijo na minha mãe, pedi a bênção e fui. Quando cheguei na escola pensei o quanto estava atrasada. E não pensei duas vezes, fui direto para a diretoria, pois não desejava nem um pouquinho ser chamada atenção na sala.
    Quando eu entrei nessa escola, eu falei para minha professora Joanna, que olhasse pra mim quando fosse fazer a chamada, pois não queria ser chamada atenção. A pior coisa que eu fiz. Ela vive pedindo para eu fazer coisas para ela, como:
"Ana, meu carro está tão sujo, lave para mim"
"Ana, você poderia arrumar minha mesa enquanto eu entro no facebook"
"Ana..."
"Ana.."
"Ana..."
     E é claro que eu obedecia, pois morria de medo que ela fizesse uma pergunta para mim na sala ou coisa do tipo. Ela sempre dizia pra mim, que se eu chegasse atrasada ela não podia fazer nada além de chamar minha atenção... Regras da escola.
     Quando eu cheguei na diretoria, vi Marianne, a garota mais popular da escola. Ela é simplesmente linda! Tem cabelos lisos na raiz do cabelo que vão cacheando até as pontas, e tem um sorriso caloroso, e olhos cor de mel que atraiam a todos ao seu redor.
Enquanto a diretora Francisca, dava o sermão de sempre, eu entrei na sala, e ela falou:
--- Não tem modos menina? Bata na porta antes de entrar--- disse ela com sua voz gélida e assustadora--- sente-se nesse sofá, nem um pio!
     Assenti sem falar nada e sentei. Marianne vivia olhando pra trás e sorrindo, como quem dizia "que tédio", eu não prestava atenção, é claro que ela não sorria para mim, eu não sou ninguém. Quando ela estava saindo me disse:
--- Boa sorte!--- E deu um sorriso. Aquele sorriso caloroso.
Eu olhei pro lado e percebi que ela estava mesmo falando comigo, então resolvi falar:
--- O-o-obrigado--- Sim eu fiquei mais vermelha que um tomate.
--- Você é bem tímida né?--- Disse Marianne com seu jeito, sutil e agradável.
--- S-s-s-sou um pouco --- ela deve pensar que eu sou gaga.
Ela deu um risinho
--- Só um pouco? Qual seu nome?
--- Ana. Ana Maria dos Anges Silva
--- A legal, eu me chamo Marianne-- disse ela com mais um sorriso no rosto e foi embora ao ouvir a diretora me chamar.
    Quis dizer, ou melhor gritar que eu sabia seu nome, mas a diretora já estava impaciente, me chamando. Quando cheguei lá, ela me olhava com os olhos mais frios que eu já vi em uma pessoa, confesso que tive um pouco de medo de sentar na frente dela, mas me sentei, relutante. Para minha surpresa a diretora apenas me deu uma advertência e disse que se por ventura algo como uma chuva de ovos acontecesse de novo, era melhor eu não ir à escola. Depois mandou eu esperar a primeira aula acabar e então eu poderia ir.
   Quando voltei para casa, minha mãe estava me esperando com um livro na mãe. Juro que fiquei com medo, afinal eu não sabia do que se tratava o livro, era um tal de "As vantagens de ser Invisível", agradeci, e fui para o quarto em que eu durmo (que não tomo como meu, pois durmo com outras 4 pessoas), minha mãe chamou todos para nossa cozinha/sala, para que cantemos parabéns para mim, eu quis fugir, eu detesto aniversários, pois tenho muita atenção...
Depois disso fui ler o meu novo livro e dormir!